O consumo desenfreado de alguns animais levaram ao surgimento de pandemias

Com a pandemia do novo coronavírus muito se fala sobre como o consumo de proteína animal e a contribuição direta para o surgimento de doenças infecciosas que desencadeiam ondas de vírus. Discutir, educar e pesquisar sobre as ações de consumo de proteínas de origem não animal, que são inclusive mais baratas que a carne e não exigem refrigeração, podem ser uma alternativa a ser refletida pela sociedade e pelas grandes indústrias, pois não deixariam de gerar emprego, promoveriam a saúde e nos livrariam da gravidade de problemas como esses que estamos vivenciando.

Segundo a autora do livro “Pandemias, saúde global e escolhas pessoais”  Cynthia Paim em entrevista à revista Galileu em 22 de maio de 2020 “quanto mais consumo existir, mais sistemas de criação serão necessários, maior a população de animais e, com isso, a probabilidade de que estes eventos ocorram naquelas populações. Mesmo assim, existem outras possibilidades, como bioterrorismo ou casos como o do vírus Nipah, transmitido a partir do consumo de frutos que estavam infectados com a saliva de morcegos que tinham o vírus. Mas elas são menos frequentes. É uma questão de diminuir a probabilidade, de não dar sopa para o azar. É um perigo a gente ficar jogando essa roleta russa e, de repente, chegar uma pandemia que faça o progresso e o desenvolvimento humano voltarem sei lá quantos anos. Deveríamos falar mais sobre este tema e essas causas, e de como evitá-las.

Questionada sobre a total abolição do consumo de produtos animais como prevenção de futuras crises de saúde como a atual a autora respondeu “falar em abolição é algo inviável a curto prazo. Acredito que a gente tenha que ter sistemas que reflitam o valor real da proteína animal. E, ao mesmo tempo, acho que no caso do Brasil seria uma pena perder a oportunidade de entrar nessa revolução tecnológica de produção de fontes alternativas de proteína vegetal ou agricultura celular, que não depende da criação de animais inteiros. O Brasil é um país que depende de commodities e, se a gente bobear mais uma vez, daqui a pouco vamos estar importando tecnologia alimentar, mesmo tendo tanto. Agora, a substituição da proteína animal pela vegetal para as populações que têm como fazer isso e o incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias de produção de proteína que não seja animal vão permitir que, aos poucos, esses sistemas sejam substituídos. Também já é possível criar produtos “animais” que vêm de um DNA animal, mas não representam esses riscos todos que estamos discutindo, porque não exigem a criação de um ser vivo, são células cultivadas em biorreatores. As pessoas pensam que é ficção, mas já usamos biorreatores, por exemplo, para produzir cerveja. É o mesmo tipo de maquinário. Essa é uma revolução que já está acontecendo, talvez em um ou dois anos a gente já veja os primeiros produtos em supermercados”.

Para o cofundador da Microsoft, o bilionário filantropo Bill Gates, que afirmou em recente entrevista à revista MIT Technology Review “para evitar uma catástrofe climática de proporções mundiais, a humanidade deve parar de comer carne. Ele acredita que todos nós devemos nos tornar vegetarianos para evitar que a crise do clima se aprofunde ainda mais, com consequências devastadoras. Isso porque uma quantidade enorme do CO2 – gás que acelera o aquecimento do planeta quando solto na atmosfera – produzido atualmente está ligado à agropecuária e à criação de animais para abate, para alimentar a indústria da carne. Ou seja, interromper o nosso consumo de carne, substituindo-a por opções vegetarianas, seria uma forma eficaz de interromper esse ciclo venenoso do CO2 para o planeta.

Já nos anos 2012 quando começaram a surgir questões sobre os nossos hábitos alimentares e as consequências para o nosso planeta, o Instituto Nina Rosa lançou o curta “A Engrenagem” https://www.youtube.com/watch?v=KmIprNpcd94  com participação voluntária do ator Eduardo Pires e da apresentadora Ellen Jabour, ambos vegetarianos, levantando  questões que envolvem a diminuição da poluição atmosférica, a preservação de recursos vegetais e hídricos e os impactos para o planeta como um todo.

Para Rodolfo Sonnewend, presidente do Instituto Humanus é questão de sobrevivência incluirmos esses assuntos em nossas rodas de conversas, por mais difícil que seja abandonar o consumo  de proteína animal incutidas em nossa cultura. “Precisamos ter consciência de que estamos contribuindo para a destruição dos nossos ecossistemas. Devemos enfrentar esses assuntos e buscarmos conscientização industrial se quisermos evitar pandemias como essa que só atrasam a nossa economia gerando consequências irreparáveis em vários outros setores” comenta.

 

Referências:

Revista Gaslileu: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2020/05/quanto-maior-o-consumo-de-carne-maior-o-risco-de-novas-pandemias.html

Yahoo Finanças: https://br.financas.yahoo.com/noticias/bill-gates-humanidade-deve-se-tornar-vegetariana-para-evitar-catastrofe-185638176.html#:~:text=Bill%20Gates%3A%20humanidade%20deve%20se%20tornar%20vegetariana%20para%20evitar%20cat%C3%A1strofe,-Ler%20o%20artigo&text=O%20bilion%C3%A1rio%20filantropo%20Bill%20Gates,deve%20parar%20de%20comer%20carne.

Instituto Nina Rosa, A Engrenagem:  https://www.youtube.com/watch?v=KmIprNpcd94

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